kinados on tour

um sorriso daqueles que deixaram tudo e... foram para a India, Paquistao, Nepal...

Friday, August 25, 2006

kinados@DHARAMSALA

Rumo a Himashal Pradesh Depois de umas 11 malfadadas horas de autocarro e uma noite a dormir no chao da estacao de camionagem de Dehra Dun (felizmente os senhores da Austrian air lines "emprestaram-nos" uma mantinha que usamos para por no chao, alias, o mais limpo que encontramos ate agora!), chegamos finalmente a Dharamsala, a cidade de montanha que e a capital do governo tibetano no exilio. So na India, sao cerca de 11 mil, os exilados! Acabamos de perder a ultima ligacao para MacLeod Ganj, a segunda parte da cidade, que fica uns quilometros mais acima. Molhados ate ao ossos e extenuados pelos dois dias de viagem decidimos esperar pelo dia seguinte para seguir viagem. Para passar a noite fomos logo escolher o pior hotel, nao da zona, mas de toda a India, certamente: casa-de-banho usada e cujos vidros para o corredor nao existiam, lencois sujos e um radio aos gritos a lembrar a alvorada as 7 da manha! Um pequeno-almoco numa minuscula e rudimentar shai-shop devolve-nos o alento. De seguida, novo contratempo: esquecemos o tear na camioneta de Mac Leod! A chuva continua. Um rickshaw deixa-nos na base de Bhagsu. Para revermos uns amigos que conhecemos em Rishikesh temos apenas dois nomes no nosso mapa do tesouro: Swami Guest House e Ever Green Hotel. Indicam-nos a direccao. O caminho e a subir. As experiencias por que temos passado permitiram-nos desenvolver uma tecnica muito simples de despiste de informacoes falsas (DIF) :). Para minimizar a hipotese de nos darmos mal cada vez que necessitamos de uma informacao precisa, colocamos a mesma pergunta de diferentes maneiras a mesma pessoa e de seguida repetimo-la a mais pessoas. A opiniao nunca e unanime dai que usemos frequentemente um segundo criterio que consiste em avaliar o grau de confianca que cada interlocutor nos inspira pela sua expressao gestual. Resultado: direccao errada! Voltamos ao ponto de partida e tomamos outra direccao. Percebemos mais tarde que subimos dos 1750 ate quase aos 2000 metros com 15 e 20 quilos as costas, respectivamente! Estamos numa zona rural (Bhagsu esta a 10 minutos a pe de MacLeod Ganj e a mais 20 minutos de autocarro de Dharamsala). As culturas, especialmente de milho, estendem-se pelos montes sobranceiros ao vale. As casas estao dispersas tornando o cenario muito pitoresco. Especialmente em epoca de moncao esta zona e extremamente humida e so neste percurso atravessamos 2 ou 3 riachos.

De MacLeod para Bhagsu. A nossa Guest House e sensivelmente por tras dos cedros dos Himalayas que estao no meio da imagem

Chegamos finalmente!

Swami House... os nossos amigos Eva e Ennio nao estavam em casa! Colocamos as nossas mochilas no quarto e sentamo-nos na varanda a apreciar a paisagem enquanto bebemos um chai de boas vindas que nos preparou a Nilu e eis que chega um curioso personagem que vinha visitar su care loco venezuelano... chega el Comandante Cabrera! Um louco este comandante porto-riquenho e suas historias... e muito boa onda este care loco! Conversamos um bom pedaco e ai aparecem os nossos vizinhos, a Eva com o Tapoo e o Ennio a tocar a sua flauta. Sorrisos! Acompanhados de um cafezinho de cafeteira... que delicia! Na Swami House nao estamos propriamente hospedados, estamos a viver com a simpatica familia: a Baboo tem 4 anos, a Saboo, 5, a Nilu ou Didi tem 27 e o marido Swami tem 37. O avo, nao sabemos mas ele diz que e novo, por isso!... Usamos a pequena e escura cozinha para preparar as refeicoes, lavamos a louca no canto do soalho reservado para esse efeito, sentamo-nos a volta da fogueira onde a Nilu prepara um delicioso, o mais delicioso, paneer que comemos ate hoje!

As meninas, a pequena dispensa, o louceiro, um pequeno fogao e a banca

Nao ha mesa nem cadeiras na cozinha, nem sequer agua corrente mas ha grande simpatia e uma simplicidade desinteressada que permite que a Nilu de uns pontos na saca que estou a fazer em la ou que me mostre as analises que fez na semana passada! Fazemos a maior parte das tarefas domesticas, como descascar e preparar alimentos ou mesmo lavar a louca ou a roupa de cocoras, nessa posicao que os indianos utilizam desde tenra idade e que para nos comeca tambem a ser mais natural. O banho de agua quente tambem obedece a um ritual: liga-se o cilindro meia hora antes do banho e depois enche-se um balde com a agua quente que jorrara pelas cabecas com a ajuda de um balde pequenino. E romantico e permite uma poupanca de agua incrivel!

O avo acende um cigarro na pequena fogueira

Acordo a meio da noite... ... com o barulho ensurdecedor da trovoada. O Kini dorme. Queres ver a maior trovoada da tua vida?, pergunto-lhe. Sim!, responde com os olhos entreabertos e logo de seguida volta a adormecer. Abrigada pelo alpendre saio do quarto cuja vista e soberba e fico a admirar o espetaculo. Como diria a minha avo "e mais do que uma trovoada". E verdade, sao varias. Os relampagos, ora do lado de Triund, ora da encosta de Dharamkot, ora do fundo do vale, sucedem-se com uma cadencia inferior a um segundo. O vale esta, assim, quase permanentemente iluminado. Uncle, uncle! Os chamamentos de 'uncle" e "auntie" acordam-nos logo pelas oito da manha. A Baboo nao nos chama a nos. Desta feita o alvo e um casal de israelitas (os israelitas sao mais-que-as-maes, por estas paragens... Ja desistimos de perguntar "Where are you from?". A resposta e sempre a mesma Israel. Sao 50 mil os israelitas a viajar pela India.), nossos vizinhos, que acaba de sentar-se na varanda a ver uma densa nuvem a subir a encosta e que acaba mesmo de entrar no quarto.

Esperamos que o tempo "abra". Sao 11horas. Saimos para procurar a queda de agua que existe por tras da montanha. O Tapu acompanha-nos. Chegamos. Abrigados, tomamos um chai na chai-shop local - ja esta a chover de novo, e epoca de moncao - nao e o Rui Veloso que diz que fuma um Narguille enquanto espera que passe a moncao? Pois ca estamos nos tambem em identica condicao!

Num trekking pelo Himashal Pradesh

Encontramos o Lups, um amigo tibetano que estuda no TIPA (Instituto Tibetano de Artes de Palco). Segrada-nos um pouco mais sobre a dramatica historia do povo tibetano: o Panchen Lama, o numero dois na hierarquia politica e espiritual do Tibete, e o preso politico mais novo da hiatoria: foi preso com apenas seis anos! Agora deve ter ai uns 21. A China nao o "entregou" as Nacoes Unidas, ela providencia devotamente a sua educacao!

Lups

No Mosteiro de Tsulagkhang

Estamos no mosteiro de Tsulagkhang, o mosteiro onde o Dalai Lama partilha os seus conhecimentos. Nao podemos trazer connosco qualquer objecto metalico, de ignicao, etc (nem maquina fotografica), a nao ser um copo. Perguntamo-nos porque o copo!

O mosteiro consiste num simples edificio de dois andares, com uma plataforma no centro, que e onde sua santidade discursa. Uma camara filma-o e transmite simultaneamente para varias televisoes espalhadas pelo recinto.

Ouvimos os seus ensinamentos. Como todos os presentes que nao dominam a lingua tibetana compramos um radio (os auscultadores ja tinhamos) que sintonizamos na frequencia de ingles. A traducao nao e simultanea dai que, enquanto se desenrola o discurso, aproveitamos para dar uma volta em torno da sala da plataforma (sempre em sentido horario), olhar melhor as pessoas e "respirar" o ambiente! Distribuidas pelos dois andares, sentadas em almofadas, estao centenas de pessoas (monges nos seus trajes vermelhos e amarelos, tibetanos velhos e novos e tambem ocidentais que nao perdem a oportunidade unica de ouvir "his holiness Dalai Lama", a autoridade politica e espiritual numero um do Tibete! O silencio e a disciplina imperam!...

Monges tibetanos nos seus trajes tradicionais

A meia da tarde conseguimos a resposta para a questao do copo: os monges aprendizes distribuem chai por todos os presentes. Estes por sua vez, entregam as oferendas: leite, cha, acucar.

Ha ainda algum tempo para pensar e... dormir!... Nao fossemos nos os Kinados!

4 Comments:

At 4:10 pm, Anonymous Anonymous said...

olé! o blog continua fantástico! Adoro ler isto. Um dia espero ler estas estórias ao meu miquinhos! Voçês podiam é ir pondo a localização num mapa, para ser mais fácil orientar...tenho conseguido encontrar os sítios mas às vezes demoro bué! Beijos

 
At 7:17 pm, Anonymous Anonymous said...

Olá.
O blog tá fantástico. Continuem a contar as v/aventuras e a enviar fotos.
Parabéns pela coragem.

Suse

 
At 10:46 pm, Anonymous Anonymous said...

Olá Maria João, gostei imenso da ideia. Vou seguir a vossa viagem atentamente. Bjs e continuação de boa....experiência

 
At 7:23 am, Blogger Maria João said...

Ola Pedrinho!
Como estas?
Que bom que gostaste! Manda-me o teu mail para que fiquemos em contacto!
beijos grandes

 

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